Arquitetura Bárbara

Depois da queda do império romano, mongóis, vândalos, alanos, francos, germânicos e suecos, entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros, avançaram definitivamente sobre a Europa. Estava em curso o século V. Esses grupos, essencialmente nômades, não demoraram a assimilar a cultura e a religião (cristianismo) dos povos conquistados, ao mesmo tempo em que lhes transmitiam seus próprios traços culturais, o que deu origem a uma arte completamente diferente, que assentaria as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX.

O fato de não possuírem um hábitat fixo influenciou grandemente os costumes e expressões artísticas dos bárbaros. Era notável sua destreza na fabricação de objetos facilmente transportáveis, fossem eles de luxo ou utilitários. Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta, que desde o século V a.C. até a dominação romana se estabeleceu na Europa de norte a sul e de leste a oeste. Uma vez dominados, boa parte da população foi assimilada pelo império romano e outra fugiu para o norte. Somente quando o império romano começou a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer numerosos reinos, dos quais se originaram, em parte, as nacionalidades européias.

Toda vez que um povo culturalmente bem desenvolvido conquistava um outro que lhe era superior nesse campo, o vencedor assimilava a arte e a língua do vencido. Os bárbaros não foram exceções. Quase completamente desprovidos de arquitetura, logo se apropriaram das formas da antiguidade tardia e de Bizâncio, às quais acrescentaram alguns elementos próprios. Nas Gálias (França), os francos adotaram em suas construções as salas retangulares de três naves e abside semicircular, com silharia de madeira para as igrejas e cúpula para os batistérios.

Algumas plantas enriqueceram a distribuição espacial com o acréscimo de uma galeria. Os ostrogodos, na Itália, levantaram edifícios mais representativos e ricamente decorados com mosaicos, nos quais combinaram as formas bizantinas com as romanas. Na Espanha, procedeu-se a recuperação de edifícios romanos nos centros de cada cidade, aos quais se juntava uma igreja cristã, geralmente de planta em forma de cruz latina, com naves de alturas diferentes e decoradas com relevos e frisos.

Os celtas e vikings resistiram mais às formas mediterrâneas. No entanto, graças à presença dos numerosos mosteiros, a arquitetura e as artes acabaram sendo favorecidas. Misturando pedra com madeira, construíram igrejas com telhados de pedra de duas águas, ladeados por torres cilíndricas, também de pedra, que lembram seus monumentos funerários. Com respeito à arquitetura profana, os bárbaros do norte preferiram continuar construíndo suas fortalezas de madeira e barro, circundadas por paredes circulares e fosso.

foto01.jpg (8850 bytes)
Monkwearmouth - Arte anglo-saxônica, Inglaterra
foto07.jpg (11977 bytes)
Igreja de São Julião dos Prados
Arte asturiana, Oviedo
foto09.jpg (10749 bytes)
Igreja de São Miguel de Lillo
Arte asturiana, Oviedo
foto14.jpg (10306 bytes)
Igreja de Saint Kevin
Arte irlandesa, Glendaloughs
foto15.jpg (12556 bytes)
Igreja de Saint Mary em Castro
Arte irlandesa - Dover, Inglaterra
foto27.jpg (7702 bytes)
Igreja de São João dos Banhos de Cerrato - Arte visigótica, Palencia

Em Astúria surgiu um importante foco artístico, paralelamente à invasão árabe. Lá, fundiram-se tendências da cultura dos visigodos e dos romanos, abrindo espaço para um estilo que se aproximaria muito da arte românica e que contaria com alguns dos elementos mais ocidentais (Igreja de São Julião dos Prados).

Os irlandeses, por sua vez, embora totalmente cristianizados, eram contrários à romanização. Assim, mantiveram-se fiéis a um estilo que misturava elementos nórdicos com a estética megalítica celta.

No entanto, a maior parte da população vivia na zona rural, morando em choças e cabanas que tinham origem nas aldeias celtas anteriores aos romanos. Procuravam sempre a proximidade da água, chegando algumas vezes até a construir as casas em cima dela, erguidas sobre pilotís (as palafítas).

palafitas.jpg (14937 bytes)