Arquitetura
Indiana
| Deve-se entender como
arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia, mas também
na Caxemira, Ceilão, Nepal, Tibete e Indonésia. O modelo,
entretanto, foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a
partir do reino vizinho, o Khmer, pelos demais. As origens da arte
indiana remontam às invasões dos arianos, no século VII a.C., que
depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua,
o sânscrito, e seus escritos religiosos, Os Vedas. Com a dinastia dos
Mauryas começou um período de esplendor cultural.
O budismo, apesar de posterior ao bramanismo e contemporâneo do jainismo, estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história, desde seu surgimento. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação, que depois foram estendidos às outras religiões. A arte indiana também recebeu influência persa, principalmente nas cortes, sob o reinado de Asoka (274-237 a.C.). O chamado período clássico começou com os reis gruptas, que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e renovaram as formas arquitetônicas, retomando a tradição indiana, deixando de lado o budismo. A primeira mostra da arquitetura indiana foi a construção de edifícios de tijolos, ao tempo que se levantavam estruturas de madeira. Embora estas últimas tenham desaparecido ao longo dos séculos, foram imitadas por construções de pedra que ainda estão de pé. A época clássica primitiva começou no ano de 250 a.C., durante o reinado de Asoka, que emprestou ao budismo o patrocínio imperial. Muito comuns nessa época são as stupas (pequenos templos para guardar as relíquias dedicadas a Buda) e os chaityas (templos ruprestes), entre os quais destacam-se o Gran Stupa de Sanchi, iniciada pelo imperador Asoka e ampliada em épocas posteriores, e o Chaitya de Karli, do início do século II.
Os stupas surgiram nos tempos do grande Asoka. São expressões máxima da arquitetura búdica, representando ao mesmo tempo a grande cuia emborcada de Buda, o hemisfério do mundo que gira sobre suas rodas e o ovo de onde sai a vida. A partir do século V, ocorreu o ocaso do budismo, com a ascensão do hinduísmo e do jainismo. O estilo inerente a estas religiões se misturaram para dar lugar aos motivos elaborados que constituem a marca da arquitetura indiana e que aparecem talhados nas rochas, formando sanefas. Os exemplos mais importantes estão na colina de Parasnath, em Bihar; no monte Abut em Abu Rajasthan; e em Strunjaya, em Gujarat. A arquitetura islâmica da Índia vem desde o século XIII até os nossos dias. A ela pertencem o famoso mausoléu de Gol Gundadh (1660), em Bijapur, estado de Mysore; a torre Qutb Minar (século XII), com cinco andares de pedra e mármore, em Delhi, capital; e a mesquita de Jami Masjid (1423), em Ahmadabad. A fase mongol do estilo indo-islâmico, entre os séculos XVI e XVII, fomentou o uso de materiais luxuosos, como o mármore. O exemploculminante desse estilo é o mausoléu do Taj Mahal, em Agra.
Desde o século XVIII, a construção de grandes edifícios na Índia tem mantido as formas históricas próprias ou se submetido aos modelos europeus introduzidos pelos britânicos. |