Arquitetura Renascentista
no resto da Europa
| Pela mesma época (do século XV ao XVI)
desenvolveu-se, fora da Itália, um estilo arquitetônico misto, combinação do
renascentista e gótico. Os primeiros elementos renascentistas introduzidos nas
construções dos países europeus, principalmente nos da Europa setentrional, foram os
motivos de decoração. Mais tarde, por volta de 1540, a arquitetura nesses lugares passou
a inspirar-se diretamente nas fontes clássicas. Surgiu então, na França, uma arquitetura renascentista inconfundível, cujos melhores exemplos são a fachada interna do Museu do Louvre, obra de Pierre Lescot (1510-1578), e o Castelo de Anet, projeto de Philibert Delorme (1515-1570). Os franceses foram resistentes em aceitar as inovações artísticas oriundas da Itália e, apenas no século XVI, consequência da presença de muitos artistas italianos na corte de Francisco I, é que começaram a adotá-las.
Exatamente nos castelos franceses - sobretudo o de Blois e o de Fontainebleau - a influência clássica é mais relevante. Na Inglaterra, às construções indubitavelmente góticas, como as Universidade de Oxford e Cambridge e a Biblioteca de Samuel Pepys, foram acrescentadas edificações novas, de clara inspiração românica. Na Alemanha, a influência renascentista italiana introduziu-se lentamente. A construção Alemã mantinha-se fiel à tradição gótica, mas ainda assim os edifícios da primeira metade do século XVI apresentam uma rica superestrutura ornamental, com motivos decorativos renascentistas. Apesar da arquitetura alemã manter-se vinculada ao passado gótico, vários de seus artistas foram capazes de afundir a herança medieval com a nova estética. Essa mescla - planta gótica, ornatos renascentistas - verifica-se principalmente nas construções seculares, de modo mais harmonioso nos magníficos castelos de Heidelberg e Trogau. Nas igrejas, mantêm-se as linhas góticas tradicionais. Em Portugal, o gótico aliou-se a elementos mouros, preludiando o estilo português renascentista conhecido como manuelino, nome derivado do soberano Manuel, o Venturoso. Os arquitetos espanhóis interpretaram o renascimento à sua maneira: desprezaram a simplicidade e a harmonia de equilíbrio dos edifícios italianos, e, ao lado de enfeites renascentistas, empregavam com profusão e fantasia motivos árabes, sobretudo na ornamentação de igrejas e palácios. Como seu trabalho era semelhante às obras de um ourives (platero, em espanhol), esse estilo recebeu o nome de plateresco. Seus exemplos mais típicos encontram-se em Toledo (Hospital de Santa Cruz), em vários palácios de Castela e na célebre Universidade de Salamanca.
Ao sul da Espanha, na Andaluzia, a arquitetura foi mais sóbria, com uma estrutura harmoniosa e uma decoração em estilo coríntio. Comprovam essa fidelidade aos cânones clássicos as catedrais de Málaga, Jaén e Granada. E não só na Europa ocidental o núcleo artístico florentino deixou marcas profundas: alguns edifícios que compõem o Kremlin, em Moscou, são obra de arquitetos florentinos. |