Romantismo
| O romantismo foi um
movimento artístico e intelectual ocorrido na Europa na literatura e
filosofia, que se estendeu, aproximadamente, de 1800 a 1850,
para alcançar depois as artes plásticas. Diante do racionalismo
anterior à revolução, ele propunha a elevação dos sentimentos
acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de um estilo, técnica
ou atitude tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas se
afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade
conceitual pela temática das obras.
A iconografia romântica caracterizou-se por sua estreita relação com a literatura e a poesia, especialmente com as lendas heróicas medievais e dramas amorosos, assim como com as histórias recolhidas em países exóticos, metaforizando temas políticos ou filosóficos da época e ressaltando o espírito nacional. Não se pode esquecer que o romantismo revalorizou os conceitos de pátria e república. Papel especial desempenharam a morte heróica na guerra e o suicídio por amor. A arquitetura e a escultura românticas se caracterizaram por sua linguagem nostálgica e pela pouca originalidade. Quando não se mesclaram estilos históricos obtendo-se obras bem mais ecléticas, reproduziram-se fielmente castelos e igrejas medievais, estilo que foi chamado de neogótico. Mistura de patriotismo com um lirismo gótico irracional, o castelo do rei louco Ludwig II da Baviera emerge como um sonho impossível do século passado.
A arquitetura do romantismo foi definitivamente historicista. No início do século XIX, deu-se o movimento do ressurgimento das formas clássicas, chamado de neoclassicismo; mais tarde, apareceram as manifestações neogóticas, consideradas ideais para igrejas e castelos e, em determinados casos, como na Inglaterra, inclusive para edifícios governamentais. Esse reaparecimento de estilos mais antigos teve relação com a recuperação da identidade nacional. Em Paris experimentou-se um renascimento do barroco, como aconteceu em Viena. Um caso à parte foi a Alemanha, que, sob a orientação de Luís II da Baviera, experimentou arquiteturas neo-otônicas, neo-românicas e neogóticas, além das neoclássicas já existentes. A Europa estava voltada para a construção de edifícios públicos e, esquecendo-se do fim último da arquitetura, abandonava as classes menos favorecidas em bairros cujas condições eram calamitosas. Entre os arquitetos mais reconhecidos desse período historicista ou eclético, deve-se mencionar Garnier, responsável pelo teatro de Ópera de Paris; Barry e Puguin, que reconstruíram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, responsável pelo distrito neogótico de Berlim.
O neobarroco do Teatro de Ópera de Paris é o exemplo da tendência que predominou durante todo o século passado: a o pulência monumental que aproveita os elementos arquitetônicos da história da arte que mais lhe convêm. O imponente estilo gótico do Parlamento de Londres é uma recriação anacrônica dos arquitetos Barry e Puguin. Nele, a exaltação dos estilos nacionai (gótico vertical inglês) é a constante do período. Na Espanha deu-se um renascimento curioso na arte mudéjar na construção de conventos e igrejas, e na Inglaterra surgiu o chamado neogótico hindu. Este último, em alguns casos, revelou mais mau gosto do que arte.
Este capricho oriental do inglês Nash, fusão desconcertante dos estilos chinês, hindu, islâmico e bizantino é uma boa amostra do extremo a que se chegou durante o período na busca do exótico e na exaltação do passado. |