HATCHEPSUT

 

Por muito tempo afastadas do poder, as mulheres não hesitaram em tomá-lo quando se tornou possível. Poucas conseguiram, como Hatchepsut , cujo reinado trouxe ao Egito 22 anos de paz e prosperidade, além de alguns de seus mais belos monumentos.

Filha de Tutmés I, Hatchepsut tinha cerca de 30 anos quando seu marido, Tutmés II, morreu, em 1479 a.C. Tinha duas filhas, e se tornou regente em lugar de seu genro de 12 anos, Tutmés III. Nesse papel ela demonstrou muito bem que, se não fosse pelo sexo, seria a herdeira legítima. Após prolongar sua regência, se proclamou faraó em 1473 a.C., apoiada por Senmut, intendente chefe do deus Amon, um homem comum que ela elevara às mais altas funções.

Não desejando assassinar o marido de sua filha, ela o reconheceu como co-regente, dando-lhe o segundo lugar nos monumentos. A partir daí, ela passou a ser representada com homem, com as vestes e a barba postiça usada pelos reis, investida da função de faraó.

Já que os monarcas eram considerados semideuses, Hachepsut realçou seu status ao atribuir seu nascimento à união de sua mãe com o deus Amon,  inscrevendo sua linhagem na parede de seu templo funerário em Deir el-Bahari. Obra do genial arquiteto Senenmut, restaurada pelo Departamento de Antigüidade do Metropolitan Museum, de Nova York, esse edifício é talvez o mais admirável do Egito, tanto pela sobriedade da construção quanto pela majestade de sua colocação.

Alguns anos depois da morte de Hatchepsut, seus retratos foram quebrados e seu nome apagado.

Segundo suas própria palavras, Hatchepsut era "bela e expansiva", o que suas estátuas confirmam. A efígie em granito vermelho é uma das raras que a apresentam com a aparência de mulher.