A arquitetura
Os
Incas possuíam uma organização econômico social bastante complexa. A ela se
vinculava uma arte monumental, que merece ser conhecida especialmente pela
capacidade que tiveram de superar as dificuldades impostas pelo relevo.
Sendo essa região marcada pela presença de
terremotos, convém observar que mesmo as construções de grande porte,
resistiram muito bem a fortes abalos, ao contrário de diversas edificações
feitas pelos europeus e que desabaram com os terremotos.
Neste sentido, podemos dizer que as obras de irrigação
em direção aos vales desertos, a construção de pontes pênseis, entre
grandes precipícios, e de aterros em pântanos atestam altos níveis de
conhecimentos técnicos.
Para construir estradas em terrenos com grandes
declives usavam do desenho em zigue-zague facilitando a circulação ou, se
necessário, escadas. As estradas eram estreitas já que circulavam nelas apenas
homens e lhamas com carregamentos. Erguiam-se muros de arrimo em lugares mais
perigosos para evitar desabamentos.
As estradas desempenhavam uma função mais ligada ao
controle do império do que aos comércio. Ao todo calcula-se que eram mais de 4
000 Km de estradas cortando todo o império.
Em meio às cordilheiras muitas vezes era necessário
construir pontes. Elas eram feitas de cordas e exigam uma cuidadosa manutenção
já que os cabos deviam ser substituídos todos os anos.
Ao longo das estradas podiam ser encontradas construções
onde pernoitavam viajantes que faziam parte do exército ou que eram funcionários
em serviço oficial. Nestes alojamentos ficavam os corredores que eram
encarregados de levar mensagens de um canto a outro do império, tornando possível,
por exemplo, que um destacamento do exército fosse informado com extrema
rapidez sobre uma rebelião, podendo atuar com rapidez.
O urbanismo
O
urbanismo dos Incas tem uma longa história. Seu grande desenvolvimento ocorreu
na época Chavin e teve como expoente Tiahuanaco. A pedra é o elemento básico
das construções nas regiões mais altas, enquanto que no litoral utiliza-se um
tijolo de terra. No norte e no centro das cordilheiras o estilo "cuzquenho"
prevalece, enquanto no litoral do Peru e da Bolívia torna-se bem mais raro.
Estas diferenças no urbanismo sugerem que a "atuação política no território
do Estado Chimu e das grandes chefias aymaras fosse mais fraca" conforme
observou o antropólogo francês Henri Favre.
Os edifícios Incas, templos e palácios especialmente,
caracterizavam-se por uma aparência pesada. As aberturas em forma trapezoidal
garantiam a majestade mas não amenizavam o volume. Os Incas, ao contrário dos
construtores da cultura Chavin e de Tiahuanaco, não se destacaram pelas suas
esculturas.
Quanto às construções militares, destacam-se as
fortalezas de Cuzco e do vale de Urubamba. São edificações admiráveis por não
disporem seus construtores de recursos técnicos, como a roda por exemplo.
Apesar disso utilizavam-se de grandes blocos de pedra. Os ajustes entre as
pedras eram perfeitos. Uma das provas da habilidade dos construtores reside no
fato que essas paredes monumentais resistem até hoje aos terremotos.
As casas eram circulares, cobertas de palha ou com uma
espécie de abóboda de pedra. A porta de entrada era única, sendo apenas
coberta por uma pele ou palha. Contudo, o que é mais importante observar, ao
estudar o urbanismo da área andina, é que a arquitetura civil dos Incas não
se difundiu pelo império, ao contrário da arquitetura responsável por construções
com fins militares ou religiosos.
A cidade de Machu Picchu no Peru é uma obra admirável.
Localiza-se a uma altura de 600 metros do rio Urubamba e ocupa uma área de 40
hectares. A floresta preservou a cidade permitindo estudos sobre as formas de
construção civil. A maneira como foi construída demonstra a enorme habilidade
dos seus construtores. São enormes blocos de pedra com os quais se construíram
palácios, praças, fontes, aquedutos, escadarias. A construção de alguns
terraços serviam para a agricultura e diversos muros à beira das encostas
deveriam proteger a cidade. Nenhum documento da época da conquista espanhola se
refere a Machu Picchu. Sómente em 1911 uma arqueólogo norte-americano
descobriu as ruínas, permitindo conhecer um pouco mais de uma grande cidade.