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Nome e língua.
A denominação pela qual os atuais habitantes da Terra Indígena Apiaká
são conhecidos e se reconhecem vem-lhes sendo aplicada desde o início
do século XIX. É uma variante da palavra tupi apiaba, que quer dizer
"pessoa", "gente", "homem", não sendo,
pois, originalmente um etnônimo. Seus vizinhos Kayabí os denominam
Tapy'iting ou Tapii'sin, isto é, "gente de cor clara".
A língua Apiaká pertence à família Tupi-Guarani, tal como a de seus
vizinhos Kayabí. Entretanto os Apiaká não a falam mais; usam o
português. Os Mundurukú e Kayabí que moram junto com eles falam suas
respectivas línguas.
Localização.
Os Apiaká vivem no norte do Estado de Mato Grosso. Encontram-se
dispersos ao longo dos grandes cursos fluviais Arinos, Juruena e Teles
Pires. Parte deles reside em cidades como Juara, Porto dos Gaúchos, Belém
e Cuiabá. Tem-se notícia também da existência de um grupo arredio. A
maior parte de sua população encontra-se aldeada na Terra Indígena
Apiaká-Kayabí, cortada pelo rio dos Peixes. Os Apiaká vivem na margem
direita do rio e os Kayabí, na margem esquerda.
Demografia.
Os Apiaká eram um povo numeroso, constituindo uma aldeia de até 1.500
pessoas, além de outras também populosas. Nos arquivos cuiabanos há
informação de 2.700 Apiaká em meados do século XIX. Em 1912, a
população em contato com os brancos estava reduzida a 32 pessoas (Nimuendajú,
1948, p. 311), devido a um massacre e ao conseqüente afastamento de
parte dos sobreviventes, os quais presumivelmente formaram o mencionado
grupo arredio, cuja população é desconhecida. Segundo depoimento do
Apiaká mais idoso, o pajé do grupo arredio sabe que os demais procuram
o contato com eles, mas só se mostrarão quando quiserem.
No ano de 1978 moravam na Terra Indígena Apiaká 71 pessoas, reduzidas
a 52 em 1984 em decorrência de emigração para as cidades de Juara e
Porto dos Gaúchos. Em 1990, após a vinda de novas famílias do Pará,
eles somavam 92 pessoas distribuídas em três aldeias.
História do contato.
Os Apiaká constituíam um povo guerreiro e muito temido na bacia
do Tapajós. Quando habitavam o médio e baixo curso do rio Arinos e médio
e alto curso do rio Juruena, no início do século XIX, tiveram como
vizinhos os Bakairí e Tapayúna, no Arinos, e os Bororo, Oropia,
Cauairas e Sitikawa (os últimos três hoje extintos) no alto Juruena.
Durante o século XIX diversos viajantes utilizaram a rota Arinos–Juruena–Tapajós,
que ligava os centros de Cuiabá e Belém. Esses viajantes desenvolveram
relações pacíficas com os Apiaká, trocando produtos e empregando-os
como guias e remadores em algumas de suas viagens.
Esse uso da mão-de-obra apiaká prosseguiu de tal modo que, na passagem
do século XIX para XX, encontravam-se integrados nas frentes
extrativistas desempenhando funções de tripulantes, carregadores,
pescadores, caçadores ou caucheiros, combinando o modo de vida
tradicional com o dos brancos regionais. No início do século XX foram
cruelmente massacrados por seringalistas, o que os impossibilitou de
sustentar seu tradicional modo de vida. A partir de então
miscigenaram-se com integrantes de diversas etnias, além dos brancos:
Kokama, Kayabí, Munduruku, Maué, Pareci. Apesar de os Kokama viverem
no alto Solimões, ocorreram casamentos entre indivíduos dessa etnia
que desciam o Amazonas e alguns Apiaká que desceram o Tapajós até
Santarém.
No decorrer do século XIX, mudaram-se da confluência dos rios Arinos e
Juruena e imediações: uma parte foi para o norte, ainda no
Juruena; outra foi para leste, até o rio São Manoel (ou Teles Pires),
onde passou a ser conhecida, no final do século XIX, como Pari-bi-teté,
um termo da língua Mundurukú que alude a sua tatuagem em torno dos lábios
(Nimuendajú, 1948, p. 312).
No início do terceiro quartel do século XX, um grupo de famílias fez
viagem de retorno rumo ao sul, em busca de um "patrão bom". O
missionário jesuíta João Dornstauder os encontra e os convida a se
fixarem nas proximidades dos Kayabí, no rio dos Peixes. A partir de então,
em diversas viagens, mais famílias mudaram-se do norte para o sul,
erigindo as aldeias de Nova Esperança (1968), Mayrob (1982) e Tatuí
(1986), todas na na área que veio a se constituir na TI Apiaká.
Organização social e
política. Desde que se tem notícias dos Apiaká,
suas aldeias eram constituídas por uma casa de dimensões colossais,
abrigando centenas de habitantes, com um corredor central, ladeado por
três fileiras de esteios que sustentavam um telhado de duas águas. Os
espaços laterais eram repartidos entre as diversas famílias nucleares.
As aldeias situam-se, até os dias atuais, próximo a grandes rios, com
as casas dispostas em linha, acompanhando suas margens. Cada família
nuclear mora numa casa, geralmente construída pelos homens próximo ao
pai ou sogro, conforme a localidade do casamento, de modo que o mapa da
aldeia é um retrato das relações de parentesco e sociais.
As casas e cozinhas são construídas a partir de materiais extraídos
da mata próxima. O estilo arquitetônico reproduz o modelo de casas dos
seringueiros brasileiros; e, como alternativa da folha de palmeira para
cobertura, utilizam-se da taboinha. A cozinha, quando não se constitui
numa subdivisão da casa de uma família nuclear, consiste em uma
construção adjacente, de tamanho mais reduzido, incluindo
eventualmente meias-paredes.
Todo indivíduo, homem ou mulher, possui os objetos de seu uso, fruto de
seu trabalho ou de troca, e que são eliminados por ocasião do
falecimento do seu dono. Neste momento, os objetos obtidos no comércio
com os brancos — panelas, armas de fogo — serão herdados pelo cônjuge,
filho ou filha que resida mais próximo. A casa será demolida, mas
parte do material pode ser reaproveitado para nova construção.
Os Apiaká adotaram a terminologia de parentesco portuguesa
(brasileira), inclusive os termos de compadrio e padrinho-afilhado
correspondentes ao parentesco espiritual (católico).
O casamento monogâmico predominou no passado, embora um viajante do século
XIX tenha registrado casos de poliginia, em que cada Apiaká teria duas
mulheres e só o cacique poderia ter três. Hoje, os casamentos são
monogâmicos, predominando os interétnicos, tanto com outras etnias indígenas
como com os brancos, e sua realização não requer nenhum rito de
iniciação prévio. As mulheres são consideradas aptas para o
casamento após a primeira menstruação, os homens, a partir dos 16
anos, aproximadamente. O casamento preferencial dá-se entre primos
cruzados, quando intratribal. A residência é patrilocal quando
intratribal e uxorilocal quando interétnico. Estimula-se um novo
casamento, caso um dos cônjuges faleça, mesmo que decorra considerável
diferença etária entre os parceiros. A situação da mãe solteira é
considerada irregular.
As crianças são socializadas em casa e na escola mantida pela missão
católica. O bebê fica na companhia da mãe, auxiliada por alguma
adolescente. O pai também segura seu filho ao colo, mas em caso de
necessidade ele é atendido pela mãe. O bebê é envolvido em pedaços
de tecidos à moda civilizada; crianças menores trajam apenas um calção,
ou ficam nuas enquanto estão na idade de engatinhar ou ensaiar os
primeiros passos. Desde pequenas são acostumadas a relacionarem-se de
forma respeitosa com os seus pais, padrinhos e adultos. Paralelamente é
cultivado o espírito de auto-estima e liberdade.
Os adultos atribuem elevado valor à educação formal da escola, onde o
interesse se concentra na aprendizagem da leitura e escrita do português
e na aritmética — instrumentos importantes no seu relacionamento com
a sociedade nacional.
Os Apiaká constituem uma sociedade igualitária, em que os homens mais
idosos exercem liderança sobre os demais. O líder é a pessoa que reúne
e sintetiza os anseios, objetivos da comunidade e toma a frente nas
tarefas que beneficiam a todos. Afirmam: "entre nós ninguém
manda". Embora as mulheres não participem diretamente das decisões
políticas, elas manifestam sua vontade, através do marido. Devido à
situação de contato, o papel de "relações exteriores" com
a sociedade nacional é exercido por homens mais jovens, que revelem
destreza nessa área. Todas as pessoas adultas se relacionam livremente
com a missão jesuíta e com seus vizinhos Kayabí.
Há regras de conduta para as diversas categorias e laços sociais. O
pai e o sogro são respeitados por seus filhos, genros e noras,
independente da diferença de idade. Entre os parentes afins da mesma
geração o relacionamento é regido por regras menos severas, mescladas
com formas jocosas. Os Kayabi recentemente incorporados via casamento,
adotam uma atitude de submissão em relação aos sogros. Isso ocorre
apesar de os Kayabi, de modo geral, se considerarem superiores ou mais
"donos do lugar" do que os Apiaká. Desavenças entre lideranças
levam a enfrentamentos e ameaças; a solução é constituir nova
aldeia, retirando-se quem chegou por último. A presença de missionários
atenua e/ou abafa a eclosão de conflitos. Infidelidades matrimoniais são
apenas comentadas fortuitamente, com certa malícia. A expresão de
sentimentos de culpa e de vergonha não tem lugar, e sim os de
auto-estima e liberdade.
A estrutura política é determinada pelo parentesco, aglutinando-se as
pessoas em torno dos ascendentes mais idosos. Assim, o indivíduo que
tem mais filhas casadas junto a si e filhos que construíram suas casas
próximo à sua é o que detém mais poder. Com isso congrega forças
que se revelam na oposição a um outro subgrupo Apiaká ou aos Kayabí.
Em suas guerras, no passado, além do arco e da flecha, os Apiaká
estavam munidos de lança ricamente ornada com penas de arara, parecendo
mais um enfeite que uma arma. Os Mundurukú, Tapayúna e Nambikwára
eram seus tradicionais inimigos. Os Apiaká sacrificavam os prisioneiros
de guerra adultos, consumidos ritualmente, enquanto os menores eram
criados junto com os seus até alcançarem a maturidade, quando eram
sacrificados festivamente. O direito à ingestão de carne humana era
reservado àqueles tatuados com quadrilátero em volta da boca, marca
traziada por aqueles que tinham sido submetidos ao ritual de iniciação.
Os Apiaká, embora guerreiros, mantiveram relações pacíficas com os
brasileiros.
Subsistência e atividades comerciais.
Até o século passado, os Apiaká abriam suas roças derrubando a mata
com machado de pedra, encrustado em cabo de madeira, possuindo reputação
de agricultores laboriosos que viviam também da caça e pesca.
Atualmente, os Apiaká utilizam foice, facão, machado de aço e
moto-serra para abrirem suas roças; plantam principalmente a mandioca e
o milho. Cultivam também o arroz, a banana, o cará, o abacaxi, o
mangarito, bem como dezenas de árvores frutíferas. Essa produção é
complementada com a caça, pesca e coleta na floresta circunvizinha, e
pela criação de animais domésticos.
Há obrigação, entre os Apiaká, de distribuir caça e pesca,
proporcionalmente a sua abundância e ao grau de parentesco. Objetos do
comércio local são obtidos mediante o salário de empreitadas nas
fazendas próximas e/ou venda do artesanato e do látex extraído dos
seringais. Adquirem, desde há muito, sal, açúcar, café, roupas,
tecido, sabão, armas de fogo, munição, objetos para pesca, querosene
e instrumentos de aço e, eventualmente, rádios e toca-fitas a pilha.
Enquanto os produtos da caça, pesca, coleta e da lavoura obedecem ao
modo tradicional de distribuição, não seguem as mesmas regras ao se
tratar de bens obtidos no comércio local.
O trabalho agrícola é repartido entre o homem, a mulher e, em pequena
escala, os filhos menores. O homem se encarrega da derrubada bem como da
queimada e da coivara são também tarefas masculinas. O plantio, a
limpeza e a colheita são realizados pela família, obedecendo subdivisões
internas. Enquanto a caça é tarefa exclusivamente masculina, a pesca
é praticada por todos. O cuidado da casa, das crianças, das roupas e
da cozinha é tarefa feminina. Os homens fazem casas, canoas, remos,
arcos, flechas e cestos. Cabe à mulher o fabrico das demais peças do
artesanato destinadas para o uso pessoal e para o comércio regional.
Não se pode falar em propriedade da terra entre os Apiaká. O indivíduo
que deseja abrir uma roça comunica sua intenção aos demais, definindo
com eles os seus limites. O Apiaká considera-se dono de sua roça e,
mesmo após a colheita, continua dono da capoeira. Esta pode ser cedida
a outro ou, uma vez abandonada, simplesmente apossada por quem quer que
seja. Os produtos da roça pertencem a quem plantou; eventualmente são
doados parcialmente a quem necessita e solicita "empréstimo".
Há também a posse sobre árvores da floresta, desde que alguém revele
a intenção de utilizar alguma delas para construir uma canoa, fazer
esteio para casa ou se interesse pelas frutas ou pelo mel de algum
enxame instalado em seu tronco. Cada caçador e pescador freqüenta
determinados caminhos e locais mais seguidamente, mas isso não implica
em posse, embora se reconheça como "o caminho de determinado indivíduo".
Quanto à extração do látex da seringueira (Hevea brasiliensis), cada
Apiaká é dono de sua "estrada", isto é, do caminho aberto
para dar acesso a um conjunto de seringueiras, entre 50 e 100 árvores.
O uso da "estrada" pode ser concedido a outro indivíduo.
Culinária. Sua alimentação inclui
significativa variedade de ingredientes e preparos. Mas o seu cotidiano
é sustentado, de modo comum, pela combinação de peixe e/ou carne de
caça, cozida ou assada, ingerida com farinha de mandioca puba (tipo
cascalho). A obtenção, transformação e preparo desses ingredientes
oscilam entre formas simples (assado a fogo rápido ou cozido em água e
sal) e elaboradas (assado lentamente, em moquém, transformado em
farinha; ou cozido ao leite de castanha-do-pará, acrescido de temperos
diversos). O quebra-jejum pode consistir num mingau de cará, de banana
(da terra) cozida e triturada, cozidos em água ou ao leite de castanha.
A castanha-do-pará, fruta abundante em sua terra, é ingrediente de
receitas sofisticadas e festivas. Além de ser utilizada na obtenção
de seu "leite', integra uma espécie de "bolo",
confeccionado com massa de mandioca, assado envolto em folhas de pacova.
Consomem boa variedade de frutas, silvestres e cultivadas. A afirmação
de que "não têm o que comer" indica ausência de carne (de
caça) ou de peixe.
O gosto atribuído aos diversos alimentos resulta numa escala, desde
exclusão de certos animais e peixes (para falar apenas das carnes)
passando pelo "sempre serve"— isto é, na falta de algo
melhor comem o robafo (traíra) e, em crise, até o jaú serve. Apreciam
muito a carne de anta, caititu, queixada, macaco-prego. Mas, no dizer
deles, "Apiaká gosta mesmo é de tracajá", de seus ovos também.
Artesanato e arte. Os Apiaká,
antigamente, usavam penas para confeccionar diademas, brincos, cetros,
além de aproveitar a plumária para enfeitar a lança. No corpo
utilizavam materiais como ráfia e tiras de algodão. Os homens portavam
faixas tecidas de algodão na cintura e se protegiam com um estojo
peniano. Tiras do mesmo material eram usadas por ambos os sexos nos braços
e nas pernas. As mulheres ainda colocavam um cordão de algodão em
volta dos cabelos. Colares de sementes, dentes e conchas completavam a
ornamentação masculina.
Além disso, eles pintavam e tatuavam o seu corpo, como mostram os
desenhos de Hércules Florence; a pintura era de urucum e/ou jenipapo.
Os braços e pernas eram enfeitados com representação de pessoas ou
animais. A tatuagem era uma marca tribal. Hoje não mais praticam
tatuagem, pintura corporal ou trabalho de penas, exceção feita à
emplumação de flechas. As peças que compõem os colares e pulseiras
de seu uso são esculturas zoomorfas estilizadas, representando macacos,
peixes, marrecos... Hoje, no entanto, eles se vestem à moda regional.
Os Apiaká atualmente fabricam objetos como canoa — escavada em tronco
e alargada com fogo —, remo, arco e flecha, cesto para transporte,
peneira, abano para fogo, rede tecida com fios industrializados,
pulseira, anel de tucum. Da entrecasca obtêm faixa para carregar criança
a tiracolo. A cerâmica foi substituída por peças de alumínio.
Pulseiras, anéis, colares, arco e flecha são artigos produzidos para
consumo interno; os mesmos itens, simplificados, são confeccionados
para turistas.
Religião. Os Apiaká tradicionalmente
acreditavam num deus criador do céu e da terra que expressava sua fúria
pelos trovões. Os gêmeos, heróis culturais, se encontram hoje na
Via-Láctea, em forma de animais, que distinguem numa mancha escura, próxima
ao Cruzeiro do Sul. Atualmente, é difícil avaliar o quanto mantêm de
suas crenças tradicionais, o quanto acreditam em formas de
religiosidade popular e o quanto são católicos.
Antigamente praticavam a dança, ao som de flautas (trombetas) de bambu,
tocadas pelos homens. Formavam dois círculos concêntricos: os homens o
interno e as mulheres, o externo. Hoje não mais praticam tal cerimônia;
adotaram as datas festivas do calendário nacional.
Os xamãs previam o futuro e tratavam os doentes. Eram muito
respeitados, e recebiam pagamentos apenas pelas curas. Utilizavam-se de
fogo, de ervas, assopravam ou sugavam a parte afetada de acordo com a
situação. Segundo os Apiaká, há as doenças do
"civilizado" e as deles. Para debelar os males advindos dos
brasileiros, recorrem à farmácia da Missão Jesuíta. Outros problemas
de saúde são atendidos com dieta alimentar, chás de ervas, cascas e
de raízes. Os adultos são os detentores desse saber, sem haver
especialista. Em determinadas situações buscam a cura mediante pajelança
dos Kayabí, uma vez que hoje parece não existir nenhum xamã Apiaká.
Antigamente, o viúvo ou viúva ficavam deitados na rede, acima da
tumba, com o rosto pintado de preto, os cabelos cortados, alimentando-se
apenas de milho, até a exumação dos ossos, que se realizava um ano após
a morte do cônjuge. Hoje, o corpo do falecido é enterrado próximo à
casa. Evita-se pronunciar seu nome, mencionando-o como "o
finado". Não se percebe outra atitude visível de luto, além do
abandono da casa.
Nota sobre as fontes. A literatura a
respeito dos Apiaká é bastante restrita. Para iniciar, o texto da
dissertação de mestrado de Eugênio Wenzel, Em torno da panela Apiaká,
fornece dados históricos e bibliográficos, além de apresentar informações
introdutórias a respeito da vida deles na Terra Indígena Apiaká/Kayabí,
em Juara, MT, na década de 1980.
A visita de um grupo de Apiaká a Cuiabá em 1818 proporcionou a
oportunidade de um dos primeiros registros a seu respeito, a "Memoria
sobre os uzos, costumes e linguagem dos Appiacá", escrita por José
da Silva Guimarães.
Poucos anos depois, Hércules Florence, participante da expedição do
Barão Langsdorf, registrou, por escrito e com desenhos, em Viagem
Fluvial do Tietê ao Amazonas, suas impressões sobre os Apiaká
encontrados no decorrer da viagem pelos rios Arinos e Juruena, na rota
Cuiabá–Santarém.
Vale a pena consultar a obra de Georg Grünberg, "Beiträge zur
Ethnographie der Kayabi Zentralbrasiliens". Embora os Apiaká apareçam
em segundo plano, contém valiosas informações sobre sua história e
suas relações com os Kayabí.
Além desses trabalhos, sugere-se a consulta dos relatórios e conferências
de Cândido Mariano da Silva Rondon referentes ao período de 1910 a
1922, que, entre outras informações, anota as conseqüências trágicas
de massacres sofridos pelos Apiaká no período da exploração mais
intensa da borracha.
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