Nome, língua, população e localização. Pitaguarí é a auto-denominação dos índios que habitam a serra do mesmo nome, no município de Maracanaú, Ceará. O termo é uma variante de Potiguara, nome de outra etnia do Nordeste à qual estão historicamente relacionados. Outras variantes encontradas nos documentos históricos são Pitagoarí, Pitaguar, Pitavari e Pitiguarí.
Os Pitaguarí foram visitados pela FUNAI em 1997 e aguardam a demarcação da Terra Indígena Pitaguarí, com uma área de 1.735,60 hectares (em fase de identificação) e que engloba as localidades de Santo Antônio (incluindo a Aldeia Nova, Retiro e Ipioca), Pau Branco, Olho d'Água, Horto, Munguba e Jubaia, entre outras. Santo Antônio é a mais populosa. Há famílias dispersas no alto da serra e outras que vivem em meio à população urbana não indígena.
Sua população é de 450 pessoas vivendo dentro da Terra Indígena e 300 nos arredores.
Fazem parte dos povos da família lingüística Tupí-Guaraní que, nos séculos XVI e XVII, fixaram-se nas costas do Ceará em sucessivas migrações procedentes de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Hoje os Pitaguarí falam somente o português.

História do contato. Estão em contato com os brancos há quase quatrocentos anos. Entre 1608 e 1613, quando os portugueses fundaram o forte de São Sebastião, junto ao rio Ceará, núcleo da cidade de Fortaleza, encontraram algumas aldeias Potiguara nos arredores e nas serras vizinhas de Maranguape e Aratanha. Durante a ocupação holandesa, os Potiguara do rio Ceará rebelaram-se contra os portugueses e envolveram-se nas disputas pela posse da terra, como aliados dos holandeses (1637-1654). Posteriormente, muitos buscaram refúgio junto aos parentes da serra da Ibiapaba. Os que ficaram foram dominados pelos colonizadores, sendo recrutados nos combates militares contra os Payakú, seus inimigos tradicionais, na segunda metade do século XVII.
Começaram a ser missionados pelos jesuítas em 1656, inicialmente na aldeia de Parangaba. Em 1694 havia quatro aldeamentos Potiguara nas proximidades de Fortaleza: Caucaia, Parangaba, Paupina e Aldeia Nova de Pitaguarí, também chamada Parnamirim.
Em 1722 os Pitaguarí da Aldeia Nova obtiveram duas datas de sesmaria, uma na serra de Pitaguarí e outra no serrote Ipioca. Em 1854, 21 indígenas registraram na freguesia de São Sebastião de Maranguape a posse coletiva do terreno de nome Santo Antonio de Pitagoary, topônimo derivado de uma capela construída por fazendeiros da região. A reunião desses terrenos é que veio a se constituir na Terra Indígena Pitaguarí atual.

Aspectos econômicos e sociais. Sua economia está baseada na plantação de mandioca, milho e feijão, pequena criação de animais, coleta da manga, caju e outros frutos, pesca no açude e caça na mata serrana. Alguns trabalham como diaristas e assalariados em Maracanaú, onde muitos jovens estudam. Fazem cestos e chapéus de tucum e cipó, louça de barro, bem como saias de fibras e adornos de sementes de mucunã, mulungu, frutos secos e penas de aves, com que se apresentam no Toré, nas festas e nos encontros. A vegetação serrana fornece muitas ervas e raízes empregadas pelos pajés Pitaguari na cura das doenças.
Quase todos nasceram e se criaram na localidade, constituindo famílias extensas, onde os casamentos com não indígenas são pouco freqüentes. Com o crescimento da população, as famílias mudam-se para novos terrenos onde possam plantar, porém evitam a derrubada da mata, fonte de seus modos de vida e suas crenças. Na Aldeia Nova os terrenos são distribuídos segundo as decisões do Conselho dos Pitaguarí.
Muitas histórias são contadas sobre os seres que habitam a mata, como a Caipora, que regula a caça e orienta os caçadores. Anualmente, no dia 13 de junho, há uma grande festa, em que todos se dirigem, com seus convidados, até a mangueira dos Pitaguarí, símbolo da unidade grupal e da terra dos antepassados.

Nota sobre as fontes. Como resultados do projeto "Relações interétnicas e história regional: uma revisão do desaparecimento dos povos indígenas no Nordeste", coordenado por Maria Sylvia Porto Alegre, com apoio do CNPq, há, no que tange aos Pitaguarí, o Censo de Santo Antonio do Pitaguari, de 1997, não publicado, mas disponível, e uma monografia de bacharelado no Curso de Ciências Sociais da UFC, de Joceny de Deus Pinheiro, orientada por ela, a ser concluída em 1999. Trabalhos recentes, como "Aldeias indígenas e povoamento do Nordeste no final do século XVIII, de Maria Sylvia Porto Alegre e Documentos para a história indígena no Nordeste, da mesma autora, em colaboração com Marlene Mariz e Beatriz Góis Dantas, incluem informações sobre os Potiguara no Ceará. Fazem-no também outras obras mais antigas, como os livros Os aborigenes do Ceará de Carlos Studart Filho, História da Companhia de Jesus no Brasil, de Serafim Leite, Algumas origens do Ceará de Antônio Bezerra e Datas e fatos para a história do Ceará, de Guilherme Studart e o artigo "Topônimos indígenas dos séculos 16 e 17 na costa cearense", de Pompeu Sobrinho.

Fontes de Informação

Maria Sylvia Porto Alegre
Universidade Federal do Ceará

msylvia@fortalnet.com.br
dezembro de 1998

 

Anambé | Apiaká | Arara | Araweté | Asuriní do Tocantins Ashaninka | Atikum | Bakairí | Bororo | Enawenê NawêFulni-ô | Galibi | Galibi Marworno | Guajá | Guajajára | Javaé Ka'apor | Kadiwéu | Kaiabi | Karajá | Kariri-Xocó | Katukina Pano | Krahó | Krenák | Kwazá | Marúbo | Maku | Maxakali
Miranha | Palikur | Panará | Gavião Parkatêjê | Payakú | Pirahã Pitaguarí | Rikbaktsa | Suruí | Tapeba | Tapuio | Tenharim Timbira | Tingui-Botó | Torá | Tupiniquim | Xavante | Xetá Xerente | Xokleng | Waiãpi | Wari | Yaminawa | Yanomami Yawanawa | Zo'é