Na mesma época em que Roma atingiu o apogeu material, começava o declínio moral e religioso das civilizações antigas. A Índia abandonava-se à inércia, a Grécia, desnorteada pela anarquia, profanava os Mistérios, os santuários egípcios sucumbiam, face à infiltração de interesses temporais e mesquinhos. Um anoitecer supersticioso, egoísta, esquecido dos Princípios Divinos, ensinados nas câmaras secretas, reafirmados por Moisés e tantos outros sublimes Iniciados, encobria os homens de então. Nesse ambiente de degradação, tendo Tibério como imperador romano, nasceu Jesus em Belém. Submetendo-se ao batismo público de João Batista, para testemunhar um ato de humildade e respeito para com o Profeta que ousava enfrentar a ira do poder constituído, a fim de despertar o povo de Israel. Esse foi o início de Seu apostolado , dedicado a colocar os Mistérios ao alcance dos simples, traduzindo-lhes a Doutrina de Deus. Pela Sua forma de pregação, o Cristianismo se sobressaiu perante as outras religiões: aos que não compreendiam pela razão, Ele ensinava pelo Amor e a Caridade. Acendia mais do que quiméricas expectativas, mostrava-lhes o feliz futuro reservado aos justos. Os ensinamentos, apesar de pregados simbolicamente, ocultando a Verdade dos inaptos a entenderem-nos, atingiam os humildes pelo coração, com tal potência de amor e doçura que os transformavam em fervorosos adeptos. O que Ele classificava de "Pregar o Evangelho do Reino dos Céus aos humildes" era colocar ao alcance do todos, fosse pela Razão ou pelo Amor, o entendimento das Leis Divinas. Enquanto elucidava os aptos, indicava aos menos dotados o caminho a seguir. O Sermão da Montanha condensa e resume a doutrina que o povo podia assimilar a atendia aos seus anseios. A maior ênfase das pregações de Jesus é dada ao amor:"Amai ao próximo como a vós mesmos e sede perfeitos como vosso Pai Celeste é Perfeito. Eis toda a Lei eos Profetas." A doutrina que preconizava em nada diferia das suas antecessoras. Nela é afirmada a Trindade Divina, a Eternidade, a Pluralidade de Vidas e Mundos, o Carma e a Perfeição como imperativo para a união do homem com o seu Criador.
1 - A Trindade Divina do Único - Estudada nos santuários secretos como: " O Pai é vossa origem e o Fim de tudo; o Filho é duplo em Sua Natureza, é o Verbo; o Espírito Santo é a Inteligência Criadora que, pairando sobre o caos da matéria primordial, a tornou apta para servir à elaboração de formas".
2 - A Eternidade - Mesmo as pregações públicas de Jesus estão repletas de referências à Eternidade, também fundamento dos hebreus, como se pode constatar pela pergunta do jovem rico ao Rabino: "Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?" Entre as diversas menções de Jesus à Eternidade, consta a exortação aos discípulos: "E todo aquele que por Minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, filhas, terra ou casa, receberá o cêntuplo e possuirá vida eterna". Queria Ele dizer com isso que se tornariam livres das vidas sucessivas necessárias ao aprendizado, passando a gozar a Eternidade, no sentido de não necessitarem de novas encarnações. Eis outra afirmativa deste postulado:"Não temais aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma".
3 - A Reencarnação - Crença hebraica, conhecida sob o nome de Ressureição, ocasionando interpretações distorcidas que provocaram as mais descabidas conclusões.
4 - O Carma - Apesar de se constituir num dos códigos da doutrina hebraica, o mecanismo do Carma era mal interpretado pelo leigo, conforme se verifica pela pergunta dos discípulos a Jesus, sobre o cego de nascença: "Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?".
5 - A Perfeição Como Injunção do Retorno ao Criador - Todas as palavras e sermões de Jesus exortavam ao abandono dos interesses materiais e à procura da Perfeição, através do Amor e do Saber, demonstrando ser esta a única porta a abrir o Reino dos Céus. Estes princípios sofreram uma série de deturpações, chegando à atualidade completamente desfigurados, destruindo toda a base racional de existência do ser humano. A Bíblia constitui o acervo sagrado do cristianismo (veja o link Bíblia). As convulsões sociais, morais e políticas que marcaram o fim do império romano também influenciaram os cristãos, que, atraídos pela sedução dos prazeres materiais, começaram a se desligar dos interesses espirituais. Pouco a pouco a doutrina primitiva começou a declinar com a cisão das Igrejas de Constantinopla e de Roma, então iniciou-se a decadência do cristianismo. Os diverso concílios: de Nicéia(325), de Antióquia(341), de Laodicéia(364), de Constantinopla(553), os de Latrão, de Melum(1216), de Lião(1245), de Beziers(1245), de Constança(1415), e tantos outros, anatematizaram os postulados contidos na doutrina secreta. O Concílio de Constantinopla condenou as afirmativas de Orígenes, expressas no seu livro De Principiis, sobre a reencarnação, para só admitir a vida única, tornando inexplicada a razão da desigualdade dos destinos humanos, com isso fazendo supor a injustiça Divina, revoltando a razão e afastando o homem de Deus